Ingrid Ruiz

O canto da sereia das dietas da moda



Low carb, paleolítica, cetogênica, detox, SirtFood, Atkins, Dukan, alcalina, do tipo sanguíneo, da fruta, do ovo, do suco, da sopa, do limão, da proteína, do shake, da lua… Baseadas em algum tipo de restrição – que pode ser o jejum, ou uma redução calórica muito radical, ou a diminuição excessiva do consumo de um grupo alimentar, como os carboidratos ou as gorduras –, as dietas que prometem perda rápida de peso têm muitos “sobrenomes” e são famosas nas livrarias, capas de revistas, sites e blogs especializados em emagrecimento. Elas emagrecem? Sim. Mas por que as pessoas voltam a engordar? Porque as dietas da moda não são sustentáveis a médio e longo prazo. Há muitas explicações para isso, e vamos falar sobre algumas delas:


Dietas restritivas agridem e estressam o corpo, desregulando os mecanismos fisiológicos de controle da fome e saciedade.


A todo momento estamos fazendo uso das calorias que foram fornecidas ao nosso corpo por meio dos alimentos. Mesmo em repouso, nosso corpo está utilizando essa energia para manter ativas as funções vitais, o que denominamos metabolismo basal. Qualquer diminuição repentina e radical das calorias ingeridas faz acender um alerta no corpo, que entende essa restrição como perigosa e agressiva e, com isso, diminui o metabolismo e aumenta o apetite, fazendo sentir mais fome. Perde-se gorduras? Sim, mas perde-se também muita massa magra, e isso não é saudável. Resultado: mesmo causando a perda de peso no início, essas estratégias provocam um efeito rebote que colabora para o ciclo de perda-ganho de peso.


Dietas restritivas agridem e estressam a mente.


A privação alimentar pode desencadear episódios de descontrole e compulsão, que quase sempre provocam sensações de frustração e fracasso. Cria-se assim uma relação transtornada com a comida, que pode manifestar-se como uma preocupação exagerada com calorias; ou uma obsessão por alimentos entendidos como “bons” ou “mais saudáveis”; ou ainda o comer emocional, quando se come por muitos motivos que não são fome física: por estar alegre, ou triste, ou ansioso, com tédio, raiva, cansado, estressado, etc. Esse comer transtornado pode provocar transtornos alimentares em pessoas suscetíveis a essas disfunções.

Mas então, o que fazer para emagrecer?


A primeira coisa a fazer é ter paciência. Não existe solução rápida para emagrecer. Dietas que fazem passar fome e prometem a perda de muitos quilos em pouco tempo não são saudáveis pois desequilibram o metabolismo, provocam carências nutricionais e pioram a saúde.

Em vez de restringir, inclua mais alimentos: diversifique seu prato com mais grãos, leguminosas, folhas, legumes, frutas. Mais comida in natura e menos alimentos processados ou ultraprocessados. Quando nos nutrimos melhor, com mais variedade e com comida mais fresca, sentimos menos fome. Não é preciso comer menos, é preciso comer melhor!

É preciso reaprender a ouvir o corpo e respeitar a própria fome e os sinais de saciedade. Conseguimos isso desenvolvendo uma atitude mais atenta ao comer, respirando entre as garfadas, comendo mais devagar, prestando atenção aos sabores, texturas, cheiros, etc. Fazemos assim as pazes com a comida e sentimos mais prazer ao comer, sem culpas e sem a sensação de restrição a todo momento, que só nos deixa mais ansiosos.


Criando uma nova relação com a comida e conhecendo melhor as necessidades reais do corpo temos mais chances de comer com mais equilíbrio e consciência, sem privações ou exageros. Deixo a dica para lerem meu post sobre o Mindful Eating (comer consciente).



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